A fáscia é um tecido conjuntivo composto principalmente por colágenio e fibras elásticas que circundam os músculos, nervos, ossos e órgãos. Esse tecido é continuo, ou seja, da “cabeça aos pés” e é interconectada em várias bainhas ou planos. Quando ocorre algum processo inflamatório, trauma, imobilidade e/ou sobrecarga muscular, a fáscia acaba por ficar mais restrita, ou seja, por perder sua capacidade de deslizamento.
As restrições miofasciais são diferentes das restrições articulares, pois são consideradas mais imprevisíveis e podem ocorrer em diferentes planos e direções. O tratamento miofascial tem como base localizar a restrição e dirigir-se na direção da mesma, portanto é subjetivo e baseia-se na experiência do terapeuta.
Algumas das causas para a restrição da fáscia são:
Atividade física em excesso
Má Postura
Movimentos executados de forma incorreta
Stress
Ansiedade
entre outros, podem levar a uma alteração da fáscia e tensão excessiva sobre os nervos e músculos. Como defesa, o nosso corpo cria pequenos nódulos musculares, que são chamamos de pontos gatilho.
Nestes pontos são acumuladas toxinas que prejudicam o bom funcionamento do Sistema Músculo-esquelético, alterando a Coordenação, a Flexibilidade e a Força muscular, diminuindo assim o desempenho físico e aumentando o risco de lesão.
Assim sendo, as técnicas devem ser aplicadas diretamente sobre a restrição miofascial, sendo sua progressão de superficial para profundo. O uso de pomada anti-inflamatória deve ser em pequenas quantidades para reduzir a fricção dolorosa, porém, sem permitir que as mãos escorreguem sobre a pele.
Ao realizar a libertação da fáscia com a aplicação de pressão em alguns pontos musculares – Trigger Points (pode ser realizado pelo terapeuta ou a própria pessoa com recurso a um rolo de espuma ou bola pequena) que tem como objetivo maior liberdade de movimento. É por isso uma técnica de relaxamento muscular recomendada a quem pratica atividade física e que exija um relaxamento prévio ou posterior dos músculos.

Sendo assim, a libertação miofascial tem sido uma das estratégias mais utilizadas quando o objetivo é manter e/ou aumentar a flexibilidade muscular e minimizar a dor crónica, a qual está relacionada ao treino de força muscular.
Para além da eliminação das dores aquando da correção da fáscia muscular, conseguem-se muitas das vezes melhorar muitas funções do nosso corpo como o metabolismo, a respiração, a digestão e muitos, outros problemas.
Esta abordagem permite fazer muitas coisas mais, além da eliminação da dor, uma vez que a fáscia está presente em todo o corpo.
Seguem alguns dos benefícios da libertação Miofascial:
Maior mobilidade (qualidade e amplitude de movimentos);
– Redução de tecido cicatricial e aderências;
– Diminuição do tónus dos músculos hipertónicos (demasiado duros);
– Melhoria da coordenação;
– Melhoria do aporte de sangue;
– Diminuição da dor nos pontos sensíveis;
– Efeito terapêutico;
– Melhoria da postura;
– Reforça a estabilidade, elasticidade e mobilidade;
– Prevenção e redução de fibroses, densificações ou excessiva tensão;
Com isso, através do artigo “Libertação miofascial aumenta a flexibilidade muscular em atletas”, foi observado que a libertação miofascial foi positiva e resultou na melhoria da flexibilidade muscular em atletas, porém não foi obtido ganho de força, potência e velocidade.
Entretanto, os autores ressalvam a importância da elaboração de novos estudos, de modo a garantir a veracidade dos achados clínicos e de comprovar tal evidência científica. Além disso, como a liberação miofascial pode variar consideravelmente na técnica, na pressão, nos tempos e no número total de sessões, a revisão “Efeitos da libertação miofascial: uma revisão da literatura” mostrou que a libertação miofascial, sozinha ou combinada com outras terapias convencionais, pode resultar na melhoria da dor e incapacidade, aumento da amplitude de movimento e flexibilidade.
No entanto, as pesquisas são limitadas e as evidências são baixas. A autora desta Revisão da Literatura mostra que as principais limitações entre estudos de qualificação foram os pequenos tamanhos das amostras e métodos variados dificultando a comparação direta entre as técnicas.
Por fim, através do artigo “Effectiveness of myofascial release in treatment of chronic musculoskeletal pain: a systematic review”, foi realizada uma busca nas bases de dados, na qual foram achados 513 registros, após a seleção de artigos pelos critérios do autor, apenas 8 foram considerados relevantes. A sua conclusão mostra que atualmente as evidências da libertação miofascial na dor crónica baseiam-se apenas em alguns estudos. Apesar de ser possível a melhoria na dor e na funcionalidade, os resultados não ultrapassam a diferença clínica significativas entre o controle e a intervenção e apresentam um alto risco de recidiva.
Daniela COsta Voltar Dicas CEFAD Ver Cursos de Terapias, Reabilitação, Massagem